Antes da primeira tabela, teste sua intuição com quatro frases reais. Clique em cada uma para ver a resposta e a explicação.

1“A mulher que vende flores na esquina” — qual pronome completa a frase?Ver resposta
The woman which sells flowers on the corner
The woman who sells flowers on the corner
The woman whose sells flowers on the corner
Explicação: Pessoa com função de sujeito pede who. O which fica para coisas, e whose indica posse — não pode assumir o lugar do sujeito do verbo sell.
2“O livro que eu li ontem era ótimo.” Qual frase está correta?Ver resposta
The book who I read yesterday was great.
The book what I read yesterday was great.
The book (that) I read yesterday was great.
Explicação: Coisa pede which ou that — nunca who (pessoa) nem what (what não vem depois de um substantivo: ele já embute o antecedente, como em what I read = the thing that I read). Detalhe: como o pronome é objeto de read, o inglês pode deixá-lo de fora: The book I read yesterday.
3Qual frase significa que você tem apenas UM irmão?Ver resposta
My brother who lives in Rio is a doctor.
My brother, who lives in Rio, is a doctor.
My brother which lives in Rio is a doctor.
Explicação: Entre vírgulas, a oração é explicativa: informa um detalhe sobre alguém que já está identificado — logo, um irmão só. Sem vírgulas, o inglês entende que você está separando um irmão de outros irmãos que existem.
4“O ano em que tudo mudou” em inglês é…Ver resposta
The year where everything changed
The year when everything changed
The year who everything changed
Explicação: No português falado, “onde” muitas vezes substitui “em que” até para tempo (“o ano onde tudo mudou”), e isso puxa where. Em inglês, tempo pede when (ou that solto), lugar pede where: the city where we met, the year when we met.

O “Que” Português Não Vira Uma Palavra Só

“A mulher que vende flores”, “o livro que eu li”, “a casa em que moro”, “o ano em que tudo mudou”. Quatro frases, um “que”. O inglês quebra esse pacote: who assume pessoas, which assume coisas, that cobre as duas em orações sem vírgula, whose marca posse e when/where entram em tempo e lugar. A transferência direta do “que” produz exatamente os erros que você encontra em textos de brasileiros intermediários: the book who I read, the year where everything changed.

A boa notícia é que a lógica interna é simples: cada pronome responde a uma pergunta. Who? — que pessoa? Which/that? — que coisa? Whose? — de quem é? When? — em que momento? Where? — em que lugar? Se você se acostumar a fazer essa pergunta antes de escolher a palavra, a decisão deixa de ser decoreba e vira leitura da frase.

O what não participa dessa festa: ele já carrega o antecedente dentro de si (what I read = the thing that I read), por isso nunca vem depois de um substantivo — *the book what I read é erro em qualquer registro.

Who, Which, That e Whose

PronomeReferenteExemplo
whopessoas (sujeito ou objeto)The woman who sells flowers knows everyone.
whichcoisas e animaisThe app which saves my notes is free.
thatpessoas ou coisas, sem vírgulaThe book that I read was great.
whoseposse (pessoas e coisas)The writer whose book won is Brazilian.
wherelugaresThe café where we met closed.
whentemposI remember the year when everything changed.

Duas notas de fronteira. Primeira: that no lugar de who é comum e aceito na fala (The man that sold me the car), mas depois de vírgula ele não entra — oração explicativa pede who ou which. Segunda: para coisas como sujeito, o português usa que igualzinho (“o livro que ganhou o prêmio”), e aí a escolha inglesa é which ou that — nunca who, que o “que” indiferente à pessoa às vezes sugere.

Sobre whom: existe, é a forma de objeto (the client to whom I sent the proposal) e vive na escrita formal. Na fala, quase todo mundo usa who em todas as funções (the client who I called) — saber que whom é a forma de prestígio basta; forçá-lo em conversa soa afetado, mas usar who logo depois de preposição (*to who I sent) custa ponto em prova.


O Pronome Que Pode Desaparecer

Esta é a diferença que nenhuma tradução do “que” antecipa: quando o pronome relativo é objeto da oração e a frase é restritiva (sem vírgulas), o inglês o deixa de fora. The book that I read e The book I read são a mesma frase — a segunda é até mais natural na fala. Em português isso não existe: “o livro que eu li” nunca dispensa o que.

Com pronome: The song (that) she wrote became a hit.
Sem pronome: The song she wrote became a hit. — mais coloquial, igualmente correta.
Erro: The song that she wrote it became a hit. — o it repete o objeto que o pronome já cobriu.

O erro irmão aparece quando o pronome some e o brasileiro o ressuscita no fim da oração — *the people who I met them — ou, no outro extremo, corta o pronome sujeito, que é ineliminável: The book that won the prize nunca vira *The book won the prize, porque aí vira outra frase. A regra curta: objeto e sem vírgula, pode sumir; sujeito ou vírgula, fica.


Vírgulas Que Mudam o Sentido

A oração relativa vem em dois sabores, e o que separa um do outro é a vírgula. Restritiva (sem vírgulas): ela recorta o mundo — I have two brothers. My brother who lives in Rio is a doctor. informa qual dos dois irmãos é médico. Explicativa (entre vírgulas): ela comenta — My brother, who lives in Rio, is a doctor. pressupõe um irmão único e adiciona um detalhe.

O português tem a mesma ferramenta (“meu irmão, que mora no Rio, é médico” contra “meu irmão que mora no Rio”), então a lógica você já tem. O que muda em inglês é a combinação com os pronomes: depois de vírgula, that não entra (*My brother, that lives in Rio é erro) e o pronome objeto nunca pode ser cortado (*My brother, I visit every year — precisa do whom/who). Entre o which e o that da escrita formal americana, a preferência editorial é which nas explicativas e that nas restritivas; a fala é mais relaxada.

Uma consequência prática para e-mails: antes de digitar a vírgula, decida se a informação é essencial para identificar a coisa ou pessoa. Send the report that has the new numbers (há vários relatórios) e Send the report, which has the new numbers (um relatório só) são instruções diferentes — e a diferença inteira mora nas vírgulas.


A Preposição: In Which ou …That I Live In?

“A casa em que moro” tem duas versões inglesas. A formal puxa a preposição para junto do pronome: the house in which I live. A da fala deixa a preposição no fim: the house (that) I live in. As duas estão certas; o erro real é omitir a preposição — *the house that I live está incompleto, porque live precisa de um lugar. O “em” do português é a prova de que ela existe.

PortuguêsFormal (preposição + pronome)Fala (preposição no fim)
a casa em que morothe house in which I livethe house (that) I live in
a pessoa com quem faleithe person with whom I spokethe person (who) I spoke to
o projeto de que me orgulhothe project of which I am proudthe project (that) I am proud of

Note que na versão formal a troca é obrigatória: com preposição antes do pronome não existe that (*the house in that I live), só which e whom. Na fala, o who/which/that até pode sumir junto — the house I live in, the person I spoke to — porque virou objeto. E o whose, o “cujo” do português, continua valendo para posse em qualquer registro: the colleague whose desk is next to mine.


Erros Típicos e Prática

Os cinco desvios abaixo nascem do mesmo pai — o “que” universal que também serve de “quem”, “cujo” e “em que”. São os erros que mais aparecem em redação:

The woman which sells flowers… → The woman who sells flowers… (pessoa pede who)
The book what I read… → The book (that) I read… (what não vem depois de substantivo)
The movie that I saw it… → The movie (that) I saw… (sem pronome repetido no fim)
My brother, that lives in Rio,… → My brother, who lives in Rio,… (depois de vírgula, sem that)
The year where everything changed… → The year when everything changed… (tempo pede when)

O treino que rende é a reescrita em duas etapas: pegue duas frases curtas (The woman lives on the corner. She sells flowers.) e transforme em uma (The woman who sells flowers lives on the corner.), decidindo a cada rodada se a informação é essencial (sem vírgula) ou comentário (com vírgulas). Depois, repita cortando o pronome objeto quando for possível. Para conferir a forma escrita, o corretor gratuito de gramática inglesa do PromGee aponta pronomes trocados e explica a regra aplicada.

Resumo

O “que” português se divide em quatro perguntas: who (que pessoa?), which/that (que coisa?), whose (de quem é? — o “cujo”), when/where (que tempo/que lugar? — o “em que”). Regras que faltam na tradução: o pronome objeto some em frase restritiva (The book I read) e nunca é repetido no fim (*that I saw it); depois de vírgula entra who/which, jamais that; a preposição vai antes do pronome na forma formal (in which) ou fica no fim na fala (…I live in), mas não desaparece. What nunca vem depois de um substantivo antecedente.

Perguntas Frequentes

Posso usar that no lugar de who para pessoas?

Na fala informal, sim: The man that sold me the car é comum e aceito. O cuidado é com a oração entre vírgulas: depois de vírgula o that não entra — My brother, who lives in Rio,… não tem versão com that. Em prova e escrita formal, who para pessoas segue sendo a escolha segura.

Qual é a diferença entre whose e of which?

Whose é o “cujo/cuja” do português e funciona para pessoas e coisas: the writer whose book won the prize, the house whose roof was damaged. Of which existe, mas soa formal e técnico (the house the roof of which…), então quase ninguém fala assim. Quando whose parecer estranho para coisa, refaça a frase com with: the house with the damaged roof.

Por que “The movie that I saw it” está errado?

Porque em inglês o objeto aparece uma vez só: o pronome relativo (ou o espaço vazio, quando ele some) já ocupa o lugar do objeto de saw, e o it repetiria esse objeto. O português coloquial às vezes faz essa repetição (“o filme que eu vi ele”), e é daí que o erro vem. O erro gêmeo é ressuscitar o pronome quando ele sumiu: *The movie I saw it. O certo é The movie (that) I saw, sem nada depois de saw.

Quando o pronome relativo pode ficar de fora?

Só quando ele é objeto da oração e a frase é restritiva (sem vírgulas): The book (that) I read, The people (who) I met, The song (that) she wrote. Como sujeito, ele é obrigatório: The book that won the prize não admite versão sem that/which. E depois de vírgula, nada de cortar: My brother, who lives in Rio, precisa do who.

The house in which I live e The house that I live in — qual é a certa?

As duas. A primeira é formal e escrita; a segunda é a ordem natural da fala, com a preposição no fim. O erro não está em escolher um dos dois moldes, e sim em deixar a preposição de fora: *The house that I live está incompleto — live precisa de in ou de outro complemento. Se o português mostra a preposição (“a casa em que moro”), leve-a junto para o inglês.

Suas orações relativas estão conectando o que devem?

Escreva a frase completa no corretor gratuito do PromGee: ele aponta o pronome trocado, o it repetido no fim da oração e o that que não pode entrar depois de vírgula — com a explicação em português.

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